A Perturbação Obsessivo‑Compulsiva (POC) é uma perturbação de saúde mental caracterizada por dois elementos principais: obsessões e compulsões.
Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos que surgem repetidamente e causam ansiedade ou desconforto intenso [1-3].
Compulsões são comportamentos ou rituais mentais que a pessoa realiza para tentar reduzir essa ansiedade ou evitar que algo de mau aconteça [1-3].
Por exemplo [4]:
É importante lembrar que todas as pessoas têm preocupações, manias ou pequenos rituais no dia a dia. A diferença é que, na POC, esses pensamentos e comportamentos tornam-se tão intensos e frequentes que interferem de forma significativa na vida dessa pessoa [3]. Embora estas ações possam trazer alívio momentâneo, esse alívio é temporário.
Com o tempo, o ciclo obsessão‑compulsão tende a repetir‑se e a ocupar cada vez mais tempo do dia. Eles podem consumir muito tempo (muitas vezes uma hora ou mais por dia), causar aflição profunda, ou afetar o desempenho no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos [3].
Definição clínica de POC [3]
Definição de POC no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta Edição, Texto Revisto, 2022) [3]

A POC pode afetar pessoas de todas as idades, profissões e estilos de vida. Não é uma questão de força de vontade, nem de “mania de organização”. É uma condição médica reconhecida e estudada há décadas.
Com que idade aparece a POC? [5,6]
A POC pode começar a qualquer momento, desde a pré-escola até à idade adulta [5]. Embora a POC possa ocorrer em qualquer idade, geralmente há duas faixas etárias em que a POC tende a manifestar-se pela primeira vez [5,6]: Início precoce: entre os 8 e 12 anos, em média aos 11 anos Início mais tardio: entre o final da adolescência e o início da idade adulta, em média aos 23 anos A POC também é mais prevalente nas mulheres durante o terceiro trimestre de gravidez e período pós-parto [5].
A boa notícia é que existem tratamentos eficazes que ajudam muitas pessoas a recuperar qualidade de vida [5].
[1] Stein, D. J., Costa, D. L. C., Lochner, C., Miguel, E. C., Reddy, Y. C. J., Shavitt, R. G., van den Heuvel, O. A., & Simpson, H. B. (2019). Obsessive-compulsive disorder. Nature reviews. Disease primers, 5(1), 52. https://doi.org/10.1038/s41572-019-0102-3
[2] Brock, H., Rizvi, A., & Hany, M. Obsessive-Compulsive Disorder. [Updated 2024 Feb 24]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK553162/
[3] American Psychiatric Association (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022:265-271
[4] International OCD Foundation. What is OCD? Available from: https://iocdf.org/about-ocd/
[5] Van Ameringen, M., Fineberg, N. A., Ravindran, A., Arnold, P. D., Beaulieu, S., Brakoulias, V., Brietzke, E., Dowlati, Y., Drummond, L. M., Ferretti, C. J., Feusner, J. D., Freire, R. C. R., Frey, B. N., Gardiner, S., Geller, D. A., Giacobbe, P., Bergmann, C. G., Grassi, G., Greenberg, E., … Dell’Osso, B. M. (2026). Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International College of Obsessive-Compulsive Spectrum Disorders (ICOCS) 2025 international guidelines for the management of patients with obsessive-compulsive disorder. Journal of Psychiatric Research. Journal pre-proof, ISSN: 0022-3956. https://doi.org/10.1016/j.jpsychires.2025.12.039 [6] Taylor, S. (2011). Early versus late onset obsessive-compulsive disorder: evidence for distinct subtypes. Clin Psychol Rev, 31, 1083–1100.